domingo, 22 de fevereiro de 2009

A Masturbadora do Ônibus.

Seis da manhã e eu aqui esperando ônibus para Santo Antônio do Sul. Tenho que arrumar um lugar pra ficar lá, se não eu to fodido.
Detesto pegar ônibus cedo. Mas acho que ninguém gosta. Eu podia sentir que esse dia ia ser uma merda. Enfim, uma lata de coca-cola e quinze minutos depois o ônibus chega.

- Já era hora também. – Um sujeito que estava esperando na rodoviária falou lá de trás.

Eu estava no terminal B-14. O ônibus tinha atrasado uns vinte minutos, então de fato, já era hora dele chegar.

- Tchau mãe. – Dei-lhe um beijo na face. Virei para meu pai.

- Fica com Deus pai.

- Você também filho. Boa sorte em Santo Antônio.

Abracei meu pai e subi direto para o ônibus. Não levava mais que uma mochila com algumas mudas de roupa. Minha mudança definitiva só ia acontecer depois que achasse moradia lá.

O ônibus estava às moscas. Exceto por um sujeito qualquer que também esperava o ônibus, éramos eu, o motorista e o auxiliar.

Tudo pronto. Finalmente essa merda de ônibus ia sair.

- Moço! Espera! – Surge ao longe a figura de uma moça de saia. - Esse ônibus é da São Cristóvão?

O motorista estranhou, e disse que sim. Nada de especial, ela. Exceto por suas pernas. Longas e grossas, ela fazia questão de mostrá-las. Fitei-a por algum tempo, imaginei ela em várias posições. De repente meus pensamentos são bruscamente interrompidos pelo ônibus que começa a andar.

Eu estava sentado mais ou menos no meio do ônibus, e ela algumas poltronas à frente. Usava uma camisa da empresa de ônibus. Era a mesma do motorista e auxiliar. Olhei para janela e por algum tempo fiquei concentrado na paisagem que passava rapidamente. Santo Antônio do Sul ficava bem longe de onde eu morava. Enfim, isso não é importante.

Já era tarde e meus pensamentos acabam novamente se voltando para a moça do ônibus. Que pernas. Não importa seu rosto, seus seios, nada. Se eu pudesse ter aquelas pernas estava satisfeito.

O ônibus faz uma parada em um restaurante. Já deviam ser umas duas da tarde agora. Eu desço e compro um salgado e volto para o ônibus. Decidi mudar para outro lugar, já que o sol estava batendo diretamente na minha poltrona.

Olhei ao redor do ônibus. Só eu havia voltado. Fui novamente para o fundo do ônibus, e fiquei lá esperando. Quinze, vinte, trinta minutos já haviam se passado. Tão quão penso em me levantar chegam o motorista e o auxiliar.

- Caramba não sei mais o que faço com minha mulher. – O motorista falou em tom melancólico.

Eu ignorei a conversa e ponderei onde estava a dona daquelas pernas. Pouco tempo depois ela chegou e se sentou na primeira poltrona. Dali eu podia vê-la perfeitamente, sem que ela notasse que eu estava olhando. Parece que essa viagem não ia ser de todo ruim.

O motorista fecha a porta que divide a cabine e o corredor dos passageiros. Notei certa inquietação na moça com roupa da empresa. Ela nervosa e continuamente olhava para os lados. Seu rosto parecia mais corado do que o normal. Espremi os olhos mas ainda assim não podia ver muito.
Coloquei parte de minha cabeça para fora pude vê-la melhor, pelo enorme retrovisor do ônibus. Pude ver que seu braço estava ligeiramente para dentro da saia. Mas não acreditei que aquilo poderia acontecer.

Levantei-me e fui até o banheiro, batendo a porta ao entrar. Lavei meu rosto e olhei no espelho, mas ainda assim não acreditava no que havia visto. Provavelmente não era o que pensei, e minha mente de fato anda bastante poluída ultimamente.

Ao sair do banheiro fiz questão de me sentar exatamente no mesmo lugar. A curiosidade foi muito mais forte que eu, e novamente olhei-a através do retrovisor. Ela nervosamente olhou para os lados e mordeu os lábios. Sua mão entrava e saía lentamente de dentro da saia.
Seu rosto estava suado. Não, minha mente não estava poluída, mas prestes a ficar um pouco mais. Papai do céu estava generoso hoje.

Deu um sorriso e fiz o possível para permanecer imperceptível. Em toda minha vida, nunca tinha me acontecido nada assim. Pensei na minha namorada.

- Cara, mulher é tudo vagabunda mesmo.
Por mais estranho que pareça, ela lembrava minha namorada.
- Aposto que a cachorra da Júlia já deve estar com outro agora. Ela vai ver também, quando chegar vou arrumar uma vagabunda pra me vingar daquela vaca.

O tempo passava e eu estava hipnotizado por aquela mulher. Em alguns momentos, ela deixava escapar pequenos gemidos. Por fim, ela se esticou toda e tombou a cabeça sobre os ombros.

E eu, já todo suado, olhei para cima e agradeci aos céus por esse presente. Pro inferno com a Júlia, com Santo Antônio do Sul, com meus pais, com tudo. Eu tinha que tê-la. Levantei-me novamente e fui até o banheiro.

Lavei o meu rosto e respirei fundo. Olhei novamente no espelho e ensaiei um sorriso. Do nada o ônibus para, sabe lá deus por que. Eu escuto o barulho da porta abrindo, e olho pela janela. De relance, pude ver a masturbadora saindo e ouvi-la falando com o motorista e auxiliar.

Desesperei-me e tentei abrir a porta do lavatório. A desgraçada estava emperrada, e por mais que tentasse não conseguia abri-la. De tão nervoso, perdi a voz. Com uma mão, o universo te dá um presente, e com a outra tira-o impiedosamente.

Para meu completo e total desapontamento, o ônibus sai. Vinte minutos depois, o auxiliar abre a porta.

- Meu deus você está bem?! Você está chorando! – Ele parecia legitimamente preocupado comigo. Difícil ver isso hoje em dia.

- Eu nunca mais vou vê-la. Nunca mais!

- Quem?! Do que você ta falando? – Gritos de confusão se confundiam com meus soluços de lamento.

Engoli meu choro. Sequei minhas lágrimas com a camisa.

- Aquela mulher... Eu nunca mais vou vê-la.

O auxiliar olhou com estranheza.

- Que mulher? – Ele franziu as sobrancelhas ao perguntar.

Olhei-lhe fundo nos olhos.

- Aquela que saiu a pouco. A masturbadora do ônibus.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Escritor.

Tudo bem, eu confesso. Eu ainda era virgem nesse assunto. Mas estava prestes a ser deflorado.

- É sua primeira vez aqui? Você parece nervoso. - Essa era Marininha Love. Eu não sei o nome real dela, nem pretendo saber. Aquele deve ser o codinome de trabalho.

- É, é sim. – E esse fui eu: Anderson Marins.

- E aí, o que você faz da vida?

- Eu sou escritor.

- Ah sim, mas qual seu trabalho? - Sequer preciso dizer que fiquei chateado com o comentário.

- Não, meu trabalho é escrever, sabe? Crônicas, artigos, esse tipo de coisa.

- Não sabia que isso era trabalho. Enfim, o que alguém que nem você ta fazendo num puteiro fudido que nem esse?

Foi uma boa pergunta. Não tinha a mínima idéia. Para aqueles que não me conhecem eu tenho um metro e setenta e poucos. Patologicamente magro. Míope e excêntrico.

A essa altura do campeonato, ela já estava tirando a roupa e deitando na cama. Não foi uma visão que eu queira recordar. Marininha Love – não se deixem levar pelo nome – era uma morena baixinha e gorda. Classe? Nenhuma. Cultura? Menos ainda. Vai ver era disso que eu precisava.

- Eu estou buscando novas experiências. – Ela me olhou com certo desdém.

- Escuta, se quiser fazer esquisitices eu cobro extra. Da última vez que um cliente falou que queria novas experiências eu acabei tendo que tirar um corpo estranho da bunda.

- Não, não é isso. É que minha vida não tem absolutamente emoção nenhuma. O tédio está consumindo minha alma criativa.
É por isso que vim aqui, para tentar dar emoção à minha vida. Eu preciso de experiências novas para relatar em meus textos.

- Escuta bofe, se quiser ficar aí falando tudo bem. Eu cobro por hora. Você vai querer trepar comigo ou não hein?

Ela realmente era boa com perguntas, isso eu tenho certeza. Eu não estava certo se queria de fato fazer aquilo. Quem sabe com quantos homens ela tinha ficado essa noite?
Mas uma atração pelo desconhecido me compelia a ela. Mal acreditava eu que estava prestes a fazer aquilo.

- Eu acho que não tenho escolha. – Fechei os olhos e avancei vulva adentro.

A princípio não senti nada. Depois de um tempo, o ruído agudo do colchonete com esqueleto de madeira começou a me irritar. O cheiro de suor e o bafo de cigarros e conhaque barato me levaram ao limite de minha paciência.

- Olha, esquece. Foda-se isso. Eu arrumo outra coisa pra escrever sobre. – Marininha recuperou o fôlego, levantou-se da cama e ficou de frente a mim.

- Você que sabe. Se você não quer tudo isso aqui, há quem queira. Pode me pagar e ir embora que tenho mais clientes esperando. – Nota do autor: Por “tudo isso aqui”, leia-se celulite em excesso, cancro mole e seios caídos.

Paguei a ela seus trinta e cinco reais.

- Talvez eu escreva sobre você. Se quiser eu te mando uma cópia depois.

- Eu sou analfabeta.

Rolei os olhos, me virei e fui embora.

Quatro da manhã. Passaram-se algumas horas que estou sentado em frente ao computador. Nada.
Chego à conclusão que minha epopéia no prostíbulo não rendeu absolutamente nada. Realmente, minha vida é um tédio.

Mais alguns minutos de reflexão e começo a escrever. Não, não estou escrevendo sobre minha monótona vida de escritor. Desta vez estou escrevendo sobre um personagem que é a absoluta antítese de meu ser. Não é muito original, mas pelo menos paga as contas.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Vestibular de Medicina.

- Você ta estudando demais. Vai arrumar uma mulher pra você comer, porra.

- Eu não estou estudando demais. Já falei milhões de vezes, se eu quiser passar em medicina tenho que estudar muito.

- Não entendo porque você quer fazer esse curso escroto. Fica aí se matando de estudar sabendo que não vai passar. Por que você não escolhe uma faculdade mais fácil, tipo aquela que tem lá no centro?

- Por que meu sonho é fazer medicina.

- Isso é falta de buceta.

- (...)

- Foda-se. To indo embora. Fica aí com seus estudos, assim você vai longe mesmo. Não vem encher meu saco pra te levar na zona quando ficar cansado da sua mão direita.

E finalmente Carlos foi embora. O relógio marcava duas e meia da manhã. Anderson continuou lendo seu livro de Biologia madrugada adentro.

Já pelas tantas, ele levantou e decidiu preparar um café.

- Merda. Só tem instantâneo. – Encheu uma caneca com água e colocou no micro-ondas.

Voltou para a mesa e puxou a cadeira. Sentou. Continuou seu estudo: Citologia.

“O retículo endoplasmático é resultado do...”

(...)

-Que merda é essa? – Anderson se sentiu como em uma piscina de gelatina. Viu várias esferas pequenas o cercando.

- Quem são vocês?! – Perguntou assustado.

- Eu sou Juarez. Aqueles são Niels, Heisenberg, Rutherford, Louis, Anette... – E seguiu nomeando as bolinhas. – E aquele lá é o Bukowski.

- Como assim? – A cada segundo a face de Anderson descobria novas maneiras de demonstrar sua surpresa e confusão.

- É que ele sintetiza álcool ao invés de proteína. Aí o apelidamos de Bukowski. Ironicamente, ele escreve até bem. – A esfera perfeitamente uniforme disse, com assaz calma.

Anderson afundou sua cara sobre a palma de suas mãos, pensou um pouco e reformulou sua pergunta.

- Onde eu estou, e que tipos de seres são vocês? – Agora vai, pensou ele.

- Ué, você está em uma célula. Nós somos ribossomos. Basicamente é isso, sim.

A face de Anderson se superou, conseguindo novamente criar uma nova expressão de surpresa.
Balbuciou alguma coisa sem importância.

- Você parece assustado. Quer ir tomar um drink? – Perguntou um dos ribossomos com um tom notavelmente bêbado. Ironicamente ou não, era Bukowski.

- Vem comigo, vamos dar uma volta. – Assim falou Juarez.

Sem muita opção, Anderson seguiu o pequeno ribossomo.

- Aquela ali é a Clarisse, nossa mitocôndria. Boa tarde Clarisse! E seu sobrinho como está? – Cumprimentou-a amigavelmente, exatamente como faria um político de cidade pequena em ano eleitoral.

– Sabe, a vida aqui é bem tranquila. Nós funcionamos muito bem juntos.

- Escuta, eu preciso sair daqui. Eu vou tentar vestibular pra medicina. Tenho um mundo de matéria pra estudar. – Argumentou Anderson.

- Você tem bosta na cabeça? Por que diabos vai tentar vestibular pra medicina?! – Perguntou uma organela sem importância.

- Porque é meu sonho, ora. – Ressaltou Anderson.

- Humpf, isso é falta de trepada, isso sim.

- (...)

Juarez balançou de um lado para outro, como se discordando do que acabara de ouvir.

- Anderson, já que está por aqui mesmo, por que não aproveita e faz um tour pela célula?

- Eu tenho escolha?

- Receio que não.

Seguiram: Juarez se movendo graciosamente enquanto Anderson se debatia desesperadamente pelo citoplasma.

Ficaram lá por algum tempo. Aos poucos, o pré-vestibulando acabou se acostumando com as nuances da fisiologia celular.

Jamais imaginara ele que o Retículo Endoplasmático Rugoso era na verdade um complexo habitacional para os ribossomos menos privilegiados: vulga favela.

- Enfim, acho que isso é tudo! O que você achou da viagem? – Juarez fez questão de deixar claro o ar de expectativa em sua fala.

- Nossa, adorei tudo! Mas, eu não vi nenhum lisossomo... Por quê?

- Ah, o Vandernelson tem problema mental, ele de vez em quando inventa de digerir pessoas. Olha ele ali! Fala Vandinho!

- Ahhhhhhhhhhh!!

Plim!

Era o micro-ondas. Sua água estava pronta para fazer o café. Anderson acordou de cima do monte de livros.

- Porra. Eu estou estudando demais.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Pokémon.

Pokémon.

Só tinha uma coisa no mundo que Thiago gostava mais do que sua mãe: Pokémon. Tudo começou nos anos 90, quando ele ganhou de seu padrinho um Game Boy com um cartucho de Pokémon Yellow.

No início, ele se sentiu um pouco frustrado, já que sempre quis um Playstation, simplesmente por causa dos gráficos. Mas como já sabia que ia ficar mesmo era com seu game boy, acabou pegando gosto pela coisa. E assim foi.

Passadas algumas semanas, nada mais já importava. Levava seu fiel console para a sala de aula e sequer abria sua mochila. Ele estava determinado que faria de seu Pikachu um Raichu.

Jogou, jogou, jogou. Não importava o quanto ficasse mais forte, seu pequeno mascote não evoluía.
“Deve ser um problema no cartucho.” – Pensou ele.

“Mais alguns níveis e eu consigo.” – Pensou ele, novamente equivocado.

Nisso já se foram três meses. Thiago já havia derrotado todos os ginásios, coletado todos os itens, vencido todos os treinadores. Mas seu Pikachu não evoluía.

A essa altura, ele já tinha se tornado um com o jogo. Nada mais importava, absolutamente nada. Nem mesmo sua amada mãe.

- Thiago, você esta jogando demais esse joguinho aí. Olha suas notas! Me dá essa porcaria que vou jogar ela fora!

- Vai tomar no cu mãe! Isso aqui não é um jogo qualquer! Isso aqui é minha vida! – E assim Thiago fugiu de casa com nada mais que uma muda de roupas, seu game boy e um único objetivo: fazer o seu Pikachu evoluir.

Passam-se meses, a saudade finalmente dilacera o coração de Thiago. Mas ele já havia ido tão longe, que não podia desistir agora. Por fim, ele finalmente acaba cedendo a pensamentos esquizofrênicos.

Ao acordar no meio da noite, terrivelmente agitado, ele é surpreendido por um vulto que passa correndo por seu acampamento.

Thiago agarra com força um pedaço de madeira que estava próximo e também sua lanterna. Cautelosamente, ele anda até próximo de uma moita. Ao rasgar a noite com sua lanterna, ele quase morre ao ver o que o espreitava na escuridão.
Era seu amado Pikachu, que se aproximou, e disse:

- Pikachu! Pika, pika! Pikaaaachu pikachuu! Pika picachuu pika pika!

- Pikachu! Oh, meu querido Pikachu! Não posso entender o que você diz!

Seu mascote então coçou a cabeça e começou a falar:

- Thiago, se quiser me fazer evoluir, vai ter que sacrificar a coisa que você mais ama para conseguir a coisa que mais ama. Vou te ensinar o ritual secreto que me fará evoluir, como você sempre sonhou.

E Thiago aceitou a proposta, e não pensou duas vezes: teria de voltar para casa imediatamente.
Guardou seu game boy, e tudo que tinha em sua mochila, e começou a jornada de volta. Agora, definitivamente iria atingir seu objetivo.

Alguns dias depois Thiago chega em casa, e é recebido com festa. Mas sua mãe consegue ver que ele já não é mais o mesmo. O seu olhar é distante, ele está muito magro e pálido. Mas ela estava convencida de que isso só aconteceu porque ele ficou longe de casa. Mal sabia ela que seu filho agora pertencia ao jogo.

Passam-se alguns dias, e o filho decide dar fim a sua mãe e completar sua missão. Nada poderia impedi-lo agora.

Sua mãe saiu para trabalhar, e ele dá inicio a preparação, seguindo passo a passo o que Pikachu diz.

Mais tarde, sua mãe chega, e fica incomodada ao ver a casa completamente escura, exceto por uma luz fraca e oscilante, vinda da sala.

Ao se aproximar para ver do que se tratava, encontra dezenas de velas, cuidadosamente colcoadas, na forma de um grande circulo, com outro algumas vezes menor dentro e uma linha reta entre eles. No centro, uma cadeira e o game boy de Thiago.

Seu coração dispara, e antes que ela possa se dar conta do que estava para acontecer, sente uma pancada na nuca e desmaia.

Aos poucos acorda e percebe que está amarrada a cadeira. Com sua visão ligeiramente embaçada, consegue ver Thiago sentado de fora do circulo com uma faca em seu colo.

O som do game boy ecoa por toda a casa. Thiago se levanta e vai até o centro do circulo formado de velas. Sua mãe balança a cabeça de um lado para o outro balbucia algumas palavras.

Thiago retalha a garganta de sua mãe de uma ponta a outra. O sangue cobre o pequeno console, e a cabeça de sua mãe cai para trás, ainda presa ao pescoço e toca suas costas.

Mas seu filho sequer ligava. Não ligava para mais nada. A única coisa que se passava em sua cabeça neste momento, é que ao remover o sangue da tela de seu game boy, iria ver seu Pikachu evoluindo.

Seu coração palpita de ansiedade, seus olhos brilham como a tempos não brilhavam. Ele segura o vídeo game com força, e com seu polegar lentamente limpa a tela.

Não, seu Pikachu não havia evoluído.