quarta-feira, 30 de julho de 2008

Do Estilo de Vida 2D (Parte 1)

Um dos grandes males da sociedade atual está no fato de vivermos em um mundo criado em três dimensões. Um mundo tão complexo que nos deixa cada vez mais confusos e desesperados.

As vantagens de se viver em um mundo 2D são incontáveis. O mundo 2D é, claro, uma utopia inalcançável. Mas isso não quer dizer que não possamos pensar sobre como seria viver em mundo onde não existe profundidade.

As coisas seriam mais simples, e poderíamos viver finalmente em paz com nós mesmos. Quem não gostaria de viver no mundo mágico do super Nintendo? Definitivamente o melhor console lançado até hoje, o SNES representava a plenitude do estilo de vida em apenas duas dimensões.

No SNES, as coisas não seriam tão complicadas, as pessoas seriam mais bonitas e a engenharia seria infinitamente mais avançada. Algumas coisas fariam falta, como cubos mágicos.

Com todas as opções e responsabilidades que temos hoje, é importante levar a sério o estilo de vida 2D. Nós precisamos levar um estilo de vida menos Halo 3 e mais Zelda. Precisamos pensar mais e desintegrar menos pessoas com mísseis nucleares.

Temos que ser mais Earthworm Jim, e levarmos a vida com mais humor. Mas isso não quer dizer que devemos deixar de lado o mundo 3D ultra-realista, pois no final, infelizmente vivemos em um mundo 3D.

No fim, o importante é aplicarmos a filosofia 2D ao nosso mundinho ultra-realista. Isso quer dizer levar uma vida mais simples, sem nos cercarmos de tantos problemas. Fazermos escolhas mais simples e vivermos de maneira mais feliz.

Jogue um pouco de Super Mario World e reflita sobre sua vida. Pense se você está realmente satisfeito com seu estilo de vida em três dimensões. Pense no que os Deuses do 2D estão pensando disso. Reflita sobre como ser mais como o Mario.

Tome cuidado, no entanto para não se transformar em um fundamentalista do 16 bits. É preciso de fato reconhecer a qualidade dos jogos atuais, muitos deles inspirados nos antigos jogos dos consoles clássicos. Pensem nisso enquanto jogam SNES por sinal.

Abraços.

sábado, 26 de julho de 2008

Manual de Formação do Eremita Moderno.

Decidi escrever esse manual a todos aqueles interessados no impressionantemente depressivo mundo do eremita moderno.
São alguns passos básicos que o ajudaram a ter um estilo de vida tão deprimente e patético quanto o meu.
Muito bem, comecemos:

Primeiro Passo – Tenha uma infância conturbada.

Esse passo é essencial não só por ser o primeiro, mas por ser a base de todas as suas neuroses e traumas. A formação como eremita pode exigir preparo desde a infância, por isso aqui vão algumas dicas para os pais que quiserem preparar seus filhos:
-Culpe-o por tudo. Não importa o quê. Sua esposa te traiu? É porque seu filho não a deu carinho o bastante. Entrou em um site adulto e seu computador foi infectado? Culpe o filho. Essa técnica é extremamente efetiva.
-Seja um pai desestruturado e despreparado. Ataques de raiva sem motivo com mesclados com demonstrações de amor farão o serviço.

Outro fator importante para o pequeno eremita é que ele seja rejeitado durante boa parte da vida. Isso o deixará traumatizado para sempre, além de ajudar a despertar os pensamentos psicóticos. Caso ele tenha um QI acima da média, melhor ainda, pois assim ele traçará um elaborado plano para assassinar os coleguinhas de classe. Caso ele seja abaixo da média, enfatize isso. Diga-lhe que ele não será nada. Isso se mostrará muito eficaz na fase adulta.

Passo Dois – Tenha gostos excêntricos.

O quê seria de um eremita sem seus hobbies e gostos radicalmente diferentes da população normal? Durante a adolescência, se rebele contra o sistema, por mais trivial que isso pareça. Comece a escutar bandas completamente diferentes da maioria dos outros jovens, isso o ajudará a ser excluído dos círculos sociais. Com o tempo já poderá ser estigmatizado como o “esquisito” do colégio.
Faça questão de rejeitar a sociedade convencional. Ainda assim, sobrarão aquelas pessoas que permanecem seus amigos. Mantenha contato com essas pessoas, pois no futuro elas serão sua única forma de contato com a sociedade. A internet não conta como forma de contato com a sociedade.
Outra questão importante que não deve ser deixada de lado é que sempre que possível se deve demonstrar que seus gostos são completamente diferentes. Tentar convencer um amigo a gostar de algo que ele definitivamente taxará como porcaria também ajuda a realçar sua imagem de excêntrico.

Passo Três – Não Saia de Casa.

Lá fora é um mundo grande e assustador, e ele vai comer suas pernas e cuspir bem na sua cara se você não tomar cuidado. Por isso, fique recluso em casa.
Grande parte de ser um eremita moderno é ficar dentro de casa, pois assim não temos que passar por aquilo que chamo de “interações sociais”. Basicamente para um eremita, uma interação social quer dizer constrangimento.
As pessoas do mundo de fora não nos entendem, e isso as assusta. Conseqüentemente, surgem silêncios estranhos e falta de assunto, resultando no dito constrangimento.
Grandes reuniões sociais são toleráveis devido aos altos níveis de álcool e despreocupação das pessoas do mundo de fora. Nessas ocasiões, é possível para o eremita se embebedar e esquecer-se de sua vida patética.

Passo Quatro – Sedentarismo.

O passo quatro nada mais é que uma conseqüência do terceiro passo. Esportes geralmente sugerem interações sociais e expor-se ao mundo exterior. Deve-se sempre temer tais interações, pois elas podem destruir sua auto-estima. Suicídio passa a se tornar uma idéia recorrente. Tome muito cuidado.

Passo Cinco – Tire o máximo de seus recursos.
Esse é o último e derradeiro passo para se tornar um eremita moderno completo. Nós, eremitas de hoje não conseguimos passar os dias entediados. Por o Universo nos abençoou com a Internet, comida rápida, videogames e a TV de plasma.
Use tais bênçãos incansavelmente, extraindo delas o máximo possível. Hoje em dia se precisarmos de uma mulher, basta entrar na internet e escolher. Anões transformistas, velhas, ruivas, loiras, gordas, magras, com pênis. Tem para todos os gostos.
Se está se sentindo sozinho ao jogar Halo 3, conecte seu Xbox Live à rede e tenha um jogo em multiplayer. Afim de um filme? Porque ir ate o cinema quando se pode baixar o filme?

Bom, espero que esses passos os levem a uma vida tão ridícula quanto a minha. Quem quiser mais dicas sobre como viver como eremita pode me enviar um e-mail. É desnecessário dizer que reuniões ao vivo violam meu código de vida.
Agora que todos já sabem como se tornar um eremita, aguardem pelo meu “Guia de Sobrevivência Social Do Eremita Moderno”.

Abraços.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Breve Ensaio Sobre A Moral Na Sociedade Dos Zumbis

Ok, eu admito. Eu tenho certo preconceito quanto a filmes de zumbis. Talvez pelo fato de que já assisti dezenas deles, e em todos eles a trama parecia se repetir. De “Madrugada dos Mortos” a “[REC]” e “Resident Evil”, quase toda a população se torna zumbi e um pequeno grupo tenta sobreviver em meio ao holocausto.
Ontem à noite, enquanto assistia a minha milésima história de zumbis (o sexto episódio de Fear Itself) eu fiquei tão entediado que comecei a reparar nas nuances da sociedade zumbi.
O mais espantoso foi de fato perceber que a sociedade zumbi é aparentemente mais avançada que a dos humanos não-infectados. Explico.
A primeira coisa que se nota em um filme de zumbi é que eles são movidos basicamente pela fome, eles vivem para comer e comem para viver. Apesar de pensarmos que eles são seres sem absolutamente nenhum intelecto, existe uma consciência universal entre eles. Uma moral que rege toda a comunidade morta-viva.
“Não devorarás as vísceras de outro zumbi”. Esse é um ótimo exemplo da moral zumbi. Existe um resquício de humanidade que torna inconcebível devorar seres semelhantes.
Outros fatores morais tornam os zumbis infinitamente mais avançados que nós, como por exemplo, o desapego por coisas materiais, a ausência da necessidade de autoridade, exatamente como uma utopia anarquista.
A sociedade zumbi funciona independentemente de líderes, e todos partilham a carne humana que encontram. Quando um zumbi encontra uma vítima, diferentemente dos humanos, ele decide que aquela pessoa servirá de alimento para vários outros zumbis. Eles não possuem a ganância e egocentrismo que nós humanos possuímos.
Seria possível passar horas a fio descrevendo as vantagens de se viver em uma sociedade como essa. Dentre essas vantagens: igualdade social, ausência de violência urbana e stress no trabalho. Não seria preciso se preocupar com absolutamente nada se não comer cérebros.
Mas nem só de maravilhas vive a sociedade zumbi. A escassez de humanos normais para alimentar a crescente população seria um problema grave. Fazendo uma projeção para o futuro, ou os zumbis se adaptariam à pressão do ambiente e começariam a procurar uma alimentação alternativa ou sua utopia iria ruir. Outro problema a ser lidado seria o enorme “boom” populacional, já que quando se morde uma pessoa normal ela se transforma em zumbi, agravando ainda mais a provável crise no alimento.
Como a moral zumbi não permite que se coma um semelhante, logo não existiriam mais humanos a serem comidos. Resta rezar para que a evolução os torne inteligentes o bastante para começar a mentir, matar e extinguir gradativamente os outros habitantes do planeta, ficando cada vez mais parecidos com os humanos.
Com o tempo, eles passariam a trabalhar em escritórios, bancos e se aglomerarem em favelas até que uma nova raça os devaste, assim como fizeram com os humanos.
Claro, isso não passa de uma suposição. Pode ser que aconteça ou não. Pode ser amanhã ou pode ser daqui a cem milhões de anos. Mas por enquanto meus amigos, os zumbis permanecem superiores a nós.
Abraços.