segunda-feira, 7 de março de 2011

Pato é Pato, Anta é Anta

Eu sei que você pensa
Que não preza a emoção
De navegar em mar revolto

Diz que quer lagoa mansa
Mas logo logo você se cansa
Ainda vai perceber que gosta
É de levar chute nas costas

Quer trocar mensagens bobas
Se perguntar se bem me quer
Mas tão melhor se não me quer

Quer trair e ser traída
Quer do amor a emoção
Mas só tenho o sentimento

Quem sabe quando velha
Tão caída e sem saída
Não precise dessa vida

Quem sabe sinta minha falta
E também queira ser pato -
E passe o resto dos seus dias
Navegando tranquila ao meu lado

Mas não me iludo com a idéia
Pois eu sei que não adianta -
Um pato é pra sempre um pato
E uma anta, pra sempre uma anta

sábado, 5 de março de 2011

Eu, Você e o Céu Sobre Nossas Cabeças

Eu sei que eu e você
Caminhamos muitos caminhos
E por muitos caminhos, nos perdemos

Caminhamos em linha reta
Apanhando, chorando e levantando

Seguindo em frente - sempre

Com olhos fechados aos que passavam
E ao passado que não nos deixava
Procuramos alfinetes no escuro
Tentamos costurar as feridas

Sei que os nossos caminhos
São paralelos e discordantes -
Perco-me entre bêbados e mutantes,
Você, entre nobres e diamantes

Mas se nessa andança interminável
Não tenho idéia de onde vou chegar
Eu sei ao certo com quero estar
Se chegar um dia à algum lugar

Então, perdoe meu buquê humilde -
Eu sei, são apenas rosas e lírios
Mas a intenção é de coração

Se vagamos cegos por esses rumos
Esbarrando por entre vidas alheias
Por que não me dá sua mão
E me entrega seu coração?

Que fiquemos perdidos juntos
E caso o céu pese sobre sua cabeça
Não se preocupe, meu amor -
Terá que pesar em nós dois

quarta-feira, 2 de março de 2011

Uma Rosa no Meu Peito

Bem fundo no meu peito
Há uma rosa que jamais fenece
Apesar de afogá-la em álcool
E sufocá-la com fumaça

Ela persiste, insiste
Às vezes sobe a garganta
E vai me rasgando por dentro -

Não compreende a agonia
De engolir-lhe à boca seca

Enraizou-se no meu ser
E se nutriu com meu amor

Então, escondeu a sua beleza
Sob um ninho de espinhos -
Antes ferir do que se arriscar
Se entregar e se machucar

Mas se pede-me um abraço
Não nego jamais -
E sei que vou me cortar

Mas de bom grado, aceito essa dor
Que transcende minha carne
E lancina em minha alma -

Dá a um cético
A certeza de um espírito
Neste corpo idosamente novo

E com a certeza do espírito
Vem o conforto da esperança -
Correrei minhas mãos imprecisas
Por entre suas pernas lisas

Não temerá meus carinhos
Pois perderá seus espinhos -
Sua beleza será isenta
Desse mal que lhe atormenta

Então por fim, vai se entregar
Pois comigo entre suas pétalas
Sabe que nunca vai se machucar

terça-feira, 1 de março de 2011

Alternativo

É da minha natureza
Caminhar na contramão
E fingir que tenho aversão
Ao que todos acham bom

Sempre escolho a alternativa
Diferente dos meus amigos
Estou vivendo a alternativa
À uma vida cheia de vida

Uma pena, eu digo
Que eu cumpro todo dia

Pois todos os meus amigos
Escolheram ter alguém -
Escolheram viver a vida

Escolheram descansar as cabeças
Bem longe dessas sarjetas

Sou um peixe no deserto
Ardo, queimo, sofro
Mas não morro -
A vida não é tão boa

Vivo no meu lugar de direito
Junto aos pássaros que não cantam
Do gavião que não é mais caçador
E das pessoas que não tem amor

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Forasteiro

Sou forasteiro aonde vá
Não importa onde esteja
Nunca estou realmente lá -
Sou forasteiro até em casa

Não sou visto por bons olhos
Ou ouvido por bons ouvidos
Os meus únicos carinhos
São pauladas e espinhos

Aos ricos resta o ouro
Aos fracos, o seu choro
Mas o que meu peito regreta
Meu olho já não mais secreta

No meu terno de agulhas
Recheadas de morfina
Não sinto nenhuma dor
Não sofro nenhum amor

Dizem que não vale nada
Uma vida anestesiada -
Quem espera e não se cansa
Vez ou outra até alcança

Mas chegar lá não vale de nada
Se sou pra sempre forasteiro
No coração da minha amada

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Um Ode à Divinópolis

No topo da Primeiro de Junho
Tem bebida à baixo custo
O cigarro de palha é o mesmo
Mas a dose da noite não é

E domingo, sob o sol de rachar
Tem sempre alguém pra te salvar
Vamos todos para trás do pódio
Que lá é bom de carburar

Na praça das bads eternas
Tem sempre umas menininhas
Um açaí pra esfriar a cuca
E um nóia filho da puta

Não sei se já lhe disseram -
Do Centro-Oeste somos capital
Temos sala de cinema no Shopping
E até coluna social

Mas se tentarem me desmentir
Já adianto que será em vão
Pois à Princesa d'Oeste
Entreguei meu coração

Sei que essa terra vermelha
Vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se
Uma imensa BH

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Não Vou Desistir (Do Que Interessa)

Não diga-me para não ter medo
Se é você quem está bêbado
E que tudo vai ficar bem
Se para você tudo está bem

Então, sem mais demora
Traga mais uma garrafa
E toque fogo no baseado -
Eu tô cansado pra caralho

Manter essa amizade é tarefa árdua
Pois à boca já não resta água
E a sede não se mata na lágrima

Ando pensando em desistir da gente
Só me falta mesmo um incentivo

Já que desisto de tudo mesmo
Talvez desista de ser seu amigo
Talvez desista de ter tanto juízo

Talvez desista de te amar

Mas de amor e vício, meu amigo
A gente não desiste nunca

E se eu bem me conheço
Já sei que não vou nem tentar