terça-feira, 28 de abril de 2009

Dia Perfeito.

Caralho... Hoje o dia foi perfeito.Foi um daqueles dias que parecem um sonho.

Era um domingo de manhã, eu acordei abraçado com ela. Nós sempre vamos dormir cada um com um cobertor, porque nós dois ficamos a noite inteira rolando na cama. No entanto, invariavelmente agente acaba indo pra debaixo do mesmo cobertor e acordamos sempre abraçados.

Eu acordei um pouco antes e decidi fazer o café da manhã pra ela. É o amor da minha vida. Ela e minha arte. Eu sou escritor, sabe. Ultimamente meus livros tem feito um sucesso estrondoso, daí comprei um apartamento com uma vista linda da cidade.

Preparei o café, fritei panquecas de chocolate, fiz suco e comprei bolo. Arrumei tudo em uma bandeja bem grande, levei para a cama e acordei-a.

- Bom dia amor.

- Anderson... Meu deus, para que tudo isso?

- Você merece, e eu te amo sua lerda.

Ela agarrou meu pescoço e me deu um beijo. Coloquei o DVD de um filme alemão antigo, me aconcheguei na cama junto com ela e assistimos ao filme.

Mais tarde, fomos para o parque. Era outono e todas as folhas estavam avermelhadas. Sentamos em um banco de frente ao lago e ficamos horas a fio alimentando os patos e conversando.

- Sabe Anderson, agora que nós temos uma situação financeira mais segura, eu estive pensando sabe.

- Sobre o quê?

- Sobre nós.

- Como assim?

- Eu quero ter um filho com você, ficar velha com você. Eu quero passar o resto da minha vida com você, meu amor.

Eu senti algo morno no meu peito. Acho que isso é o que chamam de Amor. Irônico, a minha vida toda eu pensei que era feliz, mas só conheci a felicidade verdadeira nesse momento.

Olhei pra ela e sorri. Ela mordeu os lábios e olhou para os pés, mexendo eles nervosamente. Encostou um joelho no outro que nem uma menina de ensino médio.
Foi uma das coisas mais... fofas que já vi.

- Eu também te amo, e não consigo pensar em qualquer pessoa além de você com o qual eu queira envelhecer. E ter um filho.

Ela encostou a cabeça no meu ombro e eu a recolhi entre meus braços. Ficamos um tempo ali, só curtindo um ao outro. A noite caiu e voltamos para o apartamento. Ela foi tomar banho e eu disse que faria o jantar.

Assim o fiz. Preparei uma salada, um manjar para sobremesa e salmão como prato principal. Abri uma garrafa de vinho.

Apaguei todas as luzes, peguei uma garrafa vazia e coloquei uma vela acesa no bico. Ela apareceu na porta do quarto e me olhou com uma cara estranha, de alegria e surpresa.

Ela estava usando uma camisa larga e um short, e uma toalha na cabeça. Ainda assim, pra mim era a mulher mais linda do mundo.

Fui andando e me ajoelhei na frente dela.

- Eu nunca me imaginei dizendo isso para alguém. Mas se for pedir isso para alguém, tem que ser você. Você aceita se casar comigo?

- Anderson... É claro que aceito. Se tem alguém com quem eu gostaria de ficar é você.

Ela se ajoelhou e me deu um beijo. Acabamos por pegar tudo e comermos no chão. Levantei e fomos para a cama. Fizemos amor várias vezes. Não sexo, como com todas as outras garotas da minha vida.

Ela foi a única mulher que gostei na vida. Todas as outras eram apenas conveniência. Sexo e entretenimento. Nada demais.

Depois disso ficamos abraçados e caímos no sono.

(...)

- ANDERSON! ACORDA FILHA DA PUTA! – Essa foi minha esposa. Eram 5:30 e eu tinha que ir trabalhar na metalúrgica. Foi um bom sonho. Todas as noites eu tenho esse mesmo sonho.

É a única alegria que tenho na minha vida de merda. Minha esposa me trai com o trocador. O filha da puta me cumprimenta todos os dias. A minha esposa sabe que eu sei, mas existe um consenso entre nós dois de não falar sobre o assunto. Eu não encho o saco dela por foder com o trocador e ela não me enche o saco sobre a bebida.

Trabalhei as dez horas diárias, para receber meu salário mínimo e meio no fim do mês. Cheguei em casa e fingi não ver um homem qualquer sair pelos fundos. Achei uma carta no chão.

“Caro Sr. Anderson, infelizmente não iremos publicar seu conto “DIA PERFEITO”, mas agradecemos a sua contribuição.

Sinceramente

O editor.”

Normal. Enchi um copo americano com conhaque e virei. Repeti isso umas duas vezes e fui pra cama. Pelo menos eu ia ter o meu sonho de sempre. Era a única coisa que me mantinha vivo.

Dormi. Hoje eu não sonhei.