Bem fundo no meu peito
Há uma rosa que jamais fenece
Apesar de afogá-la em álcool
E sufocá-la com fumaça
Ela persiste, insiste
Às vezes sobe a garganta
E vai me rasgando por dentro -
Não compreende a agonia
De engolir-lhe à boca seca
Enraizou-se no meu ser
E se nutriu com meu amor
Então, escondeu a sua beleza
Sob um ninho de espinhos -
Antes ferir do que se arriscar
Se entregar e se machucar
Mas se pede-me um abraço
Não nego jamais -
E sei que vou me cortar
Mas de bom grado, aceito essa dor
Que transcende minha carne
E lancina em minha alma -
Dá a um cético
A certeza de um espírito
Neste corpo idosamente novo
E com a certeza do espírito
Vem o conforto da esperança -
Correrei minhas mãos imprecisas
Por entre suas pernas lisas
Não temerá meus carinhos
Pois perderá seus espinhos -
Sua beleza será isenta
Desse mal que lhe atormenta
Então por fim, vai se entregar
Pois comigo entre suas pétalas
Sabe que nunca vai se machucar
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