quarta-feira, 2 de março de 2011

Uma Rosa no Meu Peito

Bem fundo no meu peito
Há uma rosa que jamais fenece
Apesar de afogá-la em álcool
E sufocá-la com fumaça

Ela persiste, insiste
Às vezes sobe a garganta
E vai me rasgando por dentro -

Não compreende a agonia
De engolir-lhe à boca seca

Enraizou-se no meu ser
E se nutriu com meu amor

Então, escondeu a sua beleza
Sob um ninho de espinhos -
Antes ferir do que se arriscar
Se entregar e se machucar

Mas se pede-me um abraço
Não nego jamais -
E sei que vou me cortar

Mas de bom grado, aceito essa dor
Que transcende minha carne
E lancina em minha alma -

Dá a um cético
A certeza de um espírito
Neste corpo idosamente novo

E com a certeza do espírito
Vem o conforto da esperança -
Correrei minhas mãos imprecisas
Por entre suas pernas lisas

Não temerá meus carinhos
Pois perderá seus espinhos -
Sua beleza será isenta
Desse mal que lhe atormenta

Então por fim, vai se entregar
Pois comigo entre suas pétalas
Sabe que nunca vai se machucar

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