segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Pokémon.

Pokémon.

Só tinha uma coisa no mundo que Thiago gostava mais do que sua mãe: Pokémon. Tudo começou nos anos 90, quando ele ganhou de seu padrinho um Game Boy com um cartucho de Pokémon Yellow.

No início, ele se sentiu um pouco frustrado, já que sempre quis um Playstation, simplesmente por causa dos gráficos. Mas como já sabia que ia ficar mesmo era com seu game boy, acabou pegando gosto pela coisa. E assim foi.

Passadas algumas semanas, nada mais já importava. Levava seu fiel console para a sala de aula e sequer abria sua mochila. Ele estava determinado que faria de seu Pikachu um Raichu.

Jogou, jogou, jogou. Não importava o quanto ficasse mais forte, seu pequeno mascote não evoluía.
“Deve ser um problema no cartucho.” – Pensou ele.

“Mais alguns níveis e eu consigo.” – Pensou ele, novamente equivocado.

Nisso já se foram três meses. Thiago já havia derrotado todos os ginásios, coletado todos os itens, vencido todos os treinadores. Mas seu Pikachu não evoluía.

A essa altura, ele já tinha se tornado um com o jogo. Nada mais importava, absolutamente nada. Nem mesmo sua amada mãe.

- Thiago, você esta jogando demais esse joguinho aí. Olha suas notas! Me dá essa porcaria que vou jogar ela fora!

- Vai tomar no cu mãe! Isso aqui não é um jogo qualquer! Isso aqui é minha vida! – E assim Thiago fugiu de casa com nada mais que uma muda de roupas, seu game boy e um único objetivo: fazer o seu Pikachu evoluir.

Passam-se meses, a saudade finalmente dilacera o coração de Thiago. Mas ele já havia ido tão longe, que não podia desistir agora. Por fim, ele finalmente acaba cedendo a pensamentos esquizofrênicos.

Ao acordar no meio da noite, terrivelmente agitado, ele é surpreendido por um vulto que passa correndo por seu acampamento.

Thiago agarra com força um pedaço de madeira que estava próximo e também sua lanterna. Cautelosamente, ele anda até próximo de uma moita. Ao rasgar a noite com sua lanterna, ele quase morre ao ver o que o espreitava na escuridão.
Era seu amado Pikachu, que se aproximou, e disse:

- Pikachu! Pika, pika! Pikaaaachu pikachuu! Pika picachuu pika pika!

- Pikachu! Oh, meu querido Pikachu! Não posso entender o que você diz!

Seu mascote então coçou a cabeça e começou a falar:

- Thiago, se quiser me fazer evoluir, vai ter que sacrificar a coisa que você mais ama para conseguir a coisa que mais ama. Vou te ensinar o ritual secreto que me fará evoluir, como você sempre sonhou.

E Thiago aceitou a proposta, e não pensou duas vezes: teria de voltar para casa imediatamente.
Guardou seu game boy, e tudo que tinha em sua mochila, e começou a jornada de volta. Agora, definitivamente iria atingir seu objetivo.

Alguns dias depois Thiago chega em casa, e é recebido com festa. Mas sua mãe consegue ver que ele já não é mais o mesmo. O seu olhar é distante, ele está muito magro e pálido. Mas ela estava convencida de que isso só aconteceu porque ele ficou longe de casa. Mal sabia ela que seu filho agora pertencia ao jogo.

Passam-se alguns dias, e o filho decide dar fim a sua mãe e completar sua missão. Nada poderia impedi-lo agora.

Sua mãe saiu para trabalhar, e ele dá inicio a preparação, seguindo passo a passo o que Pikachu diz.

Mais tarde, sua mãe chega, e fica incomodada ao ver a casa completamente escura, exceto por uma luz fraca e oscilante, vinda da sala.

Ao se aproximar para ver do que se tratava, encontra dezenas de velas, cuidadosamente colcoadas, na forma de um grande circulo, com outro algumas vezes menor dentro e uma linha reta entre eles. No centro, uma cadeira e o game boy de Thiago.

Seu coração dispara, e antes que ela possa se dar conta do que estava para acontecer, sente uma pancada na nuca e desmaia.

Aos poucos acorda e percebe que está amarrada a cadeira. Com sua visão ligeiramente embaçada, consegue ver Thiago sentado de fora do circulo com uma faca em seu colo.

O som do game boy ecoa por toda a casa. Thiago se levanta e vai até o centro do circulo formado de velas. Sua mãe balança a cabeça de um lado para o outro balbucia algumas palavras.

Thiago retalha a garganta de sua mãe de uma ponta a outra. O sangue cobre o pequeno console, e a cabeça de sua mãe cai para trás, ainda presa ao pescoço e toca suas costas.

Mas seu filho sequer ligava. Não ligava para mais nada. A única coisa que se passava em sua cabeça neste momento, é que ao remover o sangue da tela de seu game boy, iria ver seu Pikachu evoluindo.

Seu coração palpita de ansiedade, seus olhos brilham como a tempos não brilhavam. Ele segura o vídeo game com força, e com seu polegar lentamente limpa a tela.

Não, seu Pikachu não havia evoluído.

2 comentários:

Unknown disse...

Terra chamando.
Você, que participa do planeta Divinópolis Blogs está sendo convidado para o primeiro encontro de blogs de divinópolis.
Como escritor gosta de dar nomes às coisas poderia chamar de "Blog também é cultura, quiçá literatura".
É um encontro para a gente se encontrar pessoalmente, descobrir o que cada um faz e marcar para um barzinho mais tarde, mas também um encontro para discutir os blogs como uma forma de expressão cultural. Um encontro para a gente se organizar, ganhar visibilidade e participar das conferências e encontros setoriais de cultura que vão definir as políticas públicas na prefeitura de agora.

O encontro vai ser dia 14, sábado no SIMPRO, sindicato dos professores, que fica na vila em frente à Mastercabo e a EletroMsical, na 21 de abril. Casa 2.

Qualquer dúvida, cochisepoeta@gmail.com http://descitor.blogspot.com

Obrigado pela paciência com o comentário cntrol-colado

cochise César

Unknown disse...

como não pode faltar, o esquecimento vexatório.
O encontro é às 15 horas. Três da tarde.
dia 14, 15 horas, simpro.
Obrigado