Sou café preto, sem açúcar
Chá de boldo que não cura
Mas se ao me provar
Lhe amargo até a alma
A culpa devida é da vida -
Se esqueceu de me adoçar
E se ainda tira o pouco
De doçura que restava
Como é que ainda reclama
Se digo-lhe que não me ama?
Me chupou feito pedaço de cana.
E depois?
Diz que que gosta é do bagaço
Mas eu e você sabemos -
É só disfarce pro seu asco
Ainda assim, vou me espremer
Sabendo que vou sentir dor
Sabendo que não há mais garapa
Pra destilar um outro amor
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