domingo, 23 de janeiro de 2011

Drama

Depois das seis e meia
Sempre tem lotação lotada -
Regressam aos seus barracos;
Festiam feijão com arroz.

Depois das oito e meia
Sempre tem a procissão -
Embebedam-se do destilado
Do suor de sua labuta.

Nessas faces calejadas
Secaram-se as mágoas -
Fecharam-se as cortinas;
Não há tempo para drama.

Tal luxo é reservado apenas
Aos poucos que muito tem -
Sem nunca ter o bastante
Para quietar sua inquietação.

Um comentário:

Ítalo Sena disse...

Um lágrima escorreu no canto do meu olho direito depois que li este poema. Tirando essa brincadeira, posso dizer que é um excelente poema, parabens!